quarta-feira, 25 de junho de 2008

Paraty

Localizado na costa verde do Estado do Rio de Janeiro, Paraty é um lugar privilegiado. Com montanhas, cachoeiras e uma cidade histórica de arquitetura colonial quase a mergulhar num mar verde esmeralda.

Ao chegar em Paraty nos sentimos voltando no tempo. Além de suas belezas naturais, ainda bastante a salvo da invasão de turistas sem consciência ecológica, sua história é fascinante e relevante para o contexto histórico do Brasil. Tombada pelo patrimônio histórico nacional, foi fundada em 1667. Nessa época, seu mar servia de porto de saída para ouro e pedras preciosas que vinham de Minas Gerais. Era a famosa trilha do Caminho do Ouro que termina em suas ruas e até hoje pode ser percorrida, ainda resgatando seu charme e elegância.

Onde ficar? Onde comer? O que fazer?

Em suas ruas de paralelípedos não é permitido a circulação de automóveis, assim, evite saltos e percorra todos os lugares, principalmente à noite, quando fica bem movimentado.
As pousadas no centro histórico costumam ser mais caras, no entanto as que ficam na reta principal são bem mais em conta. A Pousada Eclipse e da Marquesa são duas boas opções. A primeira fica mais afastada e é mais econômica. Possui um café da manhã muito bom. A segunda é no centro histórico.


Paraty possui muitas fazendas de engenho e uma cachaça de ótima qualidade. Um programa imperdível é conhecer alguma destas fazendas e beber uma "provinha" de cada aguardente. A Fazenda Murycana é um ótimo lugar e ainda mantém vário objetos da época em que pertencia à D. Pedro II, servindo de residência (e lugar de encontro) para o príncipe regente e a Marquesa de Santos.



Faça um passeio de barco pelas ilhas da costa de Paraty. O passeio dura em torno de 4 horas e além de parar para as pessoas mergulhar em várias enseadas, ainda mostra muitas ilhas particulares, como a do Amir Klink e a de Sérgio Naya. Os barcos saem de manhã cedo (as 9h) no porto que fica no Centro Histórico.





Separe um dia e conheça Trindade. Vila de Pescadores que ficou famosa a partir dos anos 70 na comunidade hippie. Nos anos 80, se tornou lugar da moda. O acesso é pela Rodovia Rio-Santos, na altura do km 268, e está localizada a 30 km de Paraty, dentro da APA do Cairuçú.



O prato típico de Paraty é o camarão casadinho. São 2 camarões grandes (ou melhor, enormes), enrolados, fritos e recheados com farofa, servidos com arroz e fritas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Londres - Capítulo 2/2

Onde ficar


Em Londres, além dos conhecidíssimos e muito bons Albergues, outra opção são os Guest Houses, isto é, um Hostel com jeito de pousada pequena. Normalmente gerenciados por familias, possuem preços bem mais econômicos. O Lavender Guest House fica em Clapham Junction, mais afastado do centro (há 2 estações da Victoria Station) e num bairro residencial de classe média alta e a diária para casal custa £ 60 (60 pounds). O dono é uma figura!



Onde comer

Infelizmente, Londres não prima pela boa culinária. O café da manhã é muito pesado contendo ovos, bacon, feijão. O prato típico é Fish & Chips (peixe e fritas), que é empanado e frito com gordura demais para mais de uma vez por semana. O café é muito fraco. Sobra o chá e a cerveja. Para o chá, economize um pouquinho e vá tomar um tradicional chá ou chocolate na estonteante Harrods. Vale a pena pela suntuosidade do lugar. E à noite (mas não muito tarde) não deixe de beber uma cerveja Ale ou Lager ou Stout em algum dos inúmeros pubs. Imperdível.

Onde ir




Buckingham / Big Ben / London Eye

Se desçer no metrô da Trafalgar Square dá para ir a pé e passar por Big Ben, Westminster Abbey, Parliaments, Horse Guards, St. James Park, Palácio de Buckingham (as 11h30 diariamente durante os meses de Verão e em dias alternados durante o inverno) e London Eye (aquela roda gigante enorme e imponente as margens do Rio Tâmisa).




Madame Tussaud's

Ao sair vá para a estação de trem da Baker Street, lá tem o Museu de Cera Madame Tussaud’s (abre as 9h30). Além de se divertir tirando fotos com muitas celebridades, tem uma galeria que conta a história de Londres e outra chamada The Chamber of Horrors que mostra a parte londrina mais mórbida. Muito legal!





Harrod's

Descendo em Knigthsbridge (metrô), pode-se ir para Harrod’s. A Harrod’s pertence ao empresário egípcio Mohamed al-Fayed e é de deixar com água na boca pela sua suntuosidade. Fecha às 19h00! Façam compras, comam e tomem o chá que mencionei acima.





London Tower

A London Tower (Torre de Londres) não é uma Torre é um palácio enorme, então prepare-se para passar muitas horas ali dentro. Fascinante, misterioso e muito peculiar. Até o século XVII foi a residência da Família Real, depois passou a abrigar os monarcas que seriam coroados. Sua função ao longo do tempo mudou e já foi um lugar de execução e tortura. Teve muitos prisioneiros notórios, tais como Elizabeth I, Henrique VI e Ana Bolena. É também na Torre de Londres que as jóias da coroa britânica, ficam guardadas em uma camâra subterrânea. Menos valiosa mas igualmente curiosa é a colônia de corvos que habita a Torre e é protegida por decreto real. Segundo a lenda, o império ruirá no dia em que as aves pretas deixarem o lugar. Não deixe de ouvir as histórias contadas pelos "Beefeaters" (Yeomen of the Guard), guardas que servem como guias turísticos e contam as histórias mais sangrentas e macabras da Torre.





Covent Garden / Picadilly



É uma área pra pedestres, lojas transadinhas, um grande mercado, restaurantes e com muitas coisas acontecendo: shows de artistas nas ruas, grandes pechinchas e boas comidas! De lá sigam até a Piccadilly. A Royal Academy of Arts fica na própria Piccadilly. Esse site tem várias informações do que acontece nos arredores da Picadilly.


Soho / Leicester Square

Vale a pena andar um pouco mais e conhecer a Regent Street e a Oxford Street um pouco mais longe. O Soho é um bairro muito interessante e apesar de estar muitas ruas pra cima, vale a pena separar um tempo para andar em suas ruas. A Leicester Square é o famoso, iluminado e tumultuado quarteirão bem no coração londrino. É meio lugar do típico de turista, mas merece uma passadinha.

Londres - Capítulo 1/2

Londres é antíga, mas moderna; bem localizada, cosmopolita, porém organizada; agitada, inquieta, movimentada, no entanto extremamente gentil e polida. E este é o fator que mais impressiona num primeiro momento: a cortesia. É nesta cidade da Europa que o turista conhece a definição mais exata, tácita e empírica do termo "Lorde Inglês". Educação, polidez e cortesias que transbordam na forma como as pessoas se dirigem aos outros, na atmosfera dos ambientes, nos relacionamentos mais superficiais e que faz com que qualquer turista queira retornar para lá.




Exitem inúmeras atividades para descobrir, conhecer, ver e experimentar na capital londrina. São museus, castelos, galerias, parques, jardins, igrejas e diversos lugares imperdíveis do mundo antigo. É necessário no mínimo uns 5 dias inteiros para ao menos poder dizer, com um leve sotaque britânico: eu estive lá! Conhecer é apenas para os que conseguem identificar de olhos fechados as cervejas Lager, Ale, Pilsner e Stout.






De clima frio, nublado a maior parte do ano, em Londres tudo segue pontualmente como o horário do Big Ben. Uma das maravilhas é o Metrô. Se puder, use-o sem moderação e faça-o logo. Há mapas de bolso disponíveis gratuitamente em todas estações. É praticamente uma atração a parte. De escadas rolantes altíssimas, grandes e extensas galerias, segurança, rapidez e muita correria dos ingleses. Tome cuidado pois londrino anda correndo. No metrô permaneça sempre à direita. Não fique parado à esquerda (nem andando devagar) ou será derrubado.


No próximo post, darei um roteiro básico para quem tem muita disposição, pouca grana e tempo curto.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Salvador - Capítulo 3/3

OS INDEFECTÍVEIS:
Onde não esquecer de ir em Salvador


Pelourinho

Tombado pela Unesco, o bairro do Pelourinho ou Pelô (fundado em 1549) faz parte do Centro Histórico da cidade de Salvador. Com suas ruas de ladeiras, irregulares e antigas é recheada de lugares para comer, beber, dançar e comprar. Como lugar para comer com uma vista maravilhosa e um atendimento de primeira, sem perder a autenticidade baiana recomendo almoçar no Restaurante Escola do Senac. Instalado num casarão colonial, no Largo do Pelô, é considerado um dos melhores do país. Toda terça feira ocorre a lavagem do Bonfim, isto é, as baianas lavam ladeiras do Pelô com água de cheiro pontualmente as 19h. Tudo com muita música e alegria.

Elevador Lacerda

É um literalmente um elevador e cartão postal da cidade. Une a Cidade Alta à Cidade Baixa. Na cidade Alta está o centro histórico do Pelourinho e na Cidade Baixa, encontra-se entre outras atrações o Mercado Modelo e as barcas (que vão para Ilha de Itaparica, Morro de São Paulo e etc.).

Mercado Modelo

Um grande mercadão que vende tudo o quê que a baiana tem. Tem temperos, pimentas, óleos, azeites, artesanatos, camarões secos, bordados, lembrancinhas e etc. Recomendo concentrar suas compras por lá e não ceder aos inúmeros ambulantes.

Acarajés

O acarajé de Salvador devia se tornar patrimônio histórico da humanidade. Quem nunca o experimentou, corra agora, pegue um avião ou ônibus e vá comer, imediatamente. Experiência prazerosa inesquecível para o paladar. Existem diversas barracas e baianas em Salvador, sendo que os mais famosos são o Acarajé da Cira, Keka , Regina , Dinha . São tantas que em 1998, deu até briga judicial entre as Baianas Dinha e Regina, conhecida como “A Guerra dos Acarajés”, dividindo opiniões na cidade. No dia 17 de maio de 2008, a famosa quituteira e personagem deste espisódio, A Dinha faleceu e passou o tabuleiro para sua filha primogênita.

Praias

A Orla marítima de Salvador possui em torno de 50 km de belas praias e algumas não tão belas. São inúmeras que vão desde as mais próximas do Centro Histórico até o extremo oposto da cidade. Próxima do Centro está a Praia da Barra que além de ter águas calmas e quentes, também possui como atrativo o famoso Farol da Barra. Se distanciando mais um pouco se chega à Praia de Itapuã, depois à Praia de Stella Maris e do Flamengo. As duas últimas possuem águas mais agitadas (no entanto, igualmente mornas), propicias à prática de esportes e atraindo muita gente jovem.

Leia mais sobre SALVADOR aqui!!!

Muito axé para vocês!!!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Salvador - Capítulo 2/3

Foto: Hotel visto do deque do mar
Recomendo como hospedagem o Hotel Sol Victoria Marina, pois é bem localizado, perto do Pelourinho, com muitos pontos de ônibus perto. Fica no início do famoso Corredor Vitória, por onde passam os trios elétricos, mas numa parte que é residencial e como fica na Baía de Todos os Santos, os quartos de fundo tem vista para a mesma (e com muita acuidade visual se pode ver uma pontinha da Ilha de Itaparica!) .







Além disso, tem um teleférico que desce até um deque. Lá há outra piscina, um restaurante e pode-se mergulhar no mar (foto abaixo).


Foto: Deque e piscina do alto do Hotel


Em Paris, o romance é vento constante; em Pompéia (esperem para os próximos posts) se sente uma libidinagem queimando e suando os poros; já em Salvador os misticismos, a religião, cultos e rituais são oxigênio. Há uma energia em todas as esquinas, corroborados por aromas de incenso, óleos de dendê, imagens antigas e a manutenção da liturgia de ancestrais africanos mesclados com o catolicismo. Particularmente não sou mística, nem tenho paranormalidade, não vejo almas, espíritos e sou uma rocha de sensibilidade. No entanto, aconteceu algo que me impressionou muito.

Foto: Baía de Todos Santos registrada do quarto
Como falei o hotel é bom, porém desde o 1º dia tive vários problemas, sendo obrigada a trocar de quarto 3 vezes. Tudo começou no 4º dia, por volta de meia noite (muito clichê, mas verdade!). Enquanto eu dormia, a minha descarga disparou sozinha e começou a inundar o quarto inteiro. Troquei e fui para outro. Neste, tudo era muito estranho: o ar-condicionado e frigobar faziam ruídos altos e esquisitos, sendo que nem tinha a vista do anterior (agora inundado) para a Baía (e Itaparica muito pequenininha). Neste ponto, eu gostaria de esclarecer que fiquei “morando” 25 dias no hotel. No dia seguinte troquei por outro, com vista. Era no 1º andar e ficava perto de uma caixa de força no corredor, que também fazia barulho (mas que não chegava a incomodar).

Então, depois de devidamente instalada, dormindo já que nem um bebê, eu descubro que o quarto era mal-assombrado. Não foi uma descoberta de imediato. Foi aos poucos. Minha campainha tocando várias vezes durante a madrugada e quando eu abria a porta, não tinha ninguém. Entrava no quarto, ligava todas as luzes, a TV, o rádio e, do nada, tudo apagava, me fazendo ir até a porta e recolocar o cartão-chave no interruptor geral. Sendo que no escuro eu via várias formas chegando pertinho de mim, como se quase quisessem tocar no meu rosto. Finalmente, chegaram os pesadelos. Foram 2! Em ambos eu levantava da cama, com meu pijama e conversava com várias pessoas. No 1º, elas estavam no meu quarto e não me deixavam sair, então fui ficando irritada, até que acordei. No 2º, eu descia até a garagem com um garoto e quando cheguei lá, havia um grupo enorme que pegaram minha chave do quarto e não queriam me devolver. Então eu fui ficando zangada e disse: “se vocês não querem me dar, eu vou embora daqui!”. O garoto então disse, meio desapontado: “Ah, menina, a gente só queria brincar um pouquinho!”. E acordei!

Foto: Ocaso em Itaparica fotografado do quarto
Neste ponto, vocês acham que pedi para mudar de quarto novamente, certo? Errado! Resolvi que no outro dia aqueles fantasmas iam ver com quem estavam mexendo e que a jiripoca ia piar muito alto. Afinal, eu já estava cansada de tantas noites sem dormir. Assim, no fim do dia, já preparada para encontrar um menino de triciclo no corredor, com o elevador abrindo uma enxurrada de sangue no melhor estilo O Iluminado, do Stephen King, entrei no quarto e conversei com todos eles. Falei (para o nada) que eu entendia a solidão deles, e se eles quisessem companhia, tudo bem da minha parte, eu ouviria (em sonho) desde que fosse sem sustos ou brincadeiras. Curiosamente, tudo ficou calmo desde então e mais nada aconteceu.

Desta forma, recomendo a todos que aproveitem para curtir o esoterismo ecumênico de Salvador com toda a coragem, alma e coração abertos a novas experiências. Como a minha, acreditem ou não!

Próximo post: “Os Indefectíveis”

quarta-feira, 30 de abril de 2008

COMUNICADO IMPORTANTE

Vão me chamar de esnobe, metida, exibida! Vão fazer perguntas do tipo: "o que eu tenho a ver com isso?", "precisava escrever isso?", "como um surdo-mudo fala com outro surdo-mudo andando de bicicleta?".

Entretanto, mesmo assim eu gostaria de informar que estarei ausente deste blog e do Estado do Rio de Janeiro, de hoje (quarta-feira) até domingo. Pois deu pra ti, baixo astral, vou pra Porto Alegre, tchau! Estarei lá, recolhendo material para próximos posts: Porto Alegre e Gramado. Assim, prometo andar como uma turista enlouquecida, criar calos, beber tudo que me derem, comer tudo que meu nariz disser sim, conhecer as entranhas de POA e cometer as piores baixarias possíveis.

Até mais, 5 leitores!

P.S. Eu cantava a música acima citada assim: "Meu quati, baixo astral, vou pra ..."

Salvador - Capítulo 1/3

Cheiro bom, de comercial de cerveja na praia e de óleo bronzeador. Vento quente na cara, noturno e refrescando calorosamente meu pescoço. Assim foram os primeiros minutos em Salvador.


Não estranhei, só justificou, legitimou e confirmou o porquê da atração e fascínio que a Bahia exerce nas pessoas. É aquilo tudo mesmo! As historias a cheiro de canela, pele morena e gosto de dendê deixadas por Jorge Amado. A vida devagar e intensa colocada em forma de música e poesia pelos Caymmi. Enfim, uma série de lugares-comuns que invadiram a minha cabeça fantasiosa e juvenil com a ajuda da mídia.


O povo é muito simpático. Muito mesmo! Aliás, os cariocas me desculpem, mas os baianos até agora são os mais simpáticos e engraçados. Também muito acolhedores e hospitaleiros. De uma forma despretensiosa e natural, pertencente aos que possuem isso cultivado, mastigado e legitimado por gerações e gerações de cultura receptiva.

E como são belos, os baianos! As mulheres são lindas. Bem brasileiras! Morenas, sinuosas, ondulantes, de belos rostos, cinturas finas e muito calipígias. Os homens são brilhantes, sedutores, fortes, seguros, com ginga e malícia. Em especial, os negros. E raro são os que não sabem dançar.

Não tem como não falar do sotaque. Para mim, curioso e fascinante. Possuem um jeito cantado, embalado de falar, como se estivessem ninando crianças, como avó embalando netos.

O curioso é que apesar desta forma cordial de levar a vida, dirigem muito rápido. MAS MUITO MESMO! Quase a ponto de serem barbeiros, mas sem ultrapassar (realmente, não é lenda) calma-lentice e tranqüilidade peculiar.

Quando eu aterrissei era em torno das 20h e peguei um táxi para o hotel. Walmir, taxista muito gente fina (quem quiser o telefone, me peçam que eu dou depois). Simpático, baixinho, calmo (claro) que conseguiu com sua tranqüilidade driblar pacientemente, sem buzinar, piscar, ou alterar o tom de voz se esquivar de um carro “muitcho locco” que cruzava a pista como um “pinball” e já tinha perdido todos os retrovisores. Óbvio que o motorista estava um pouco "alterado" pois quando ele não estava cochilando no volante, estava com um olhar fixo, vidrado e embaçado, de peixe em feira de rua. Seguia pela avenida, fechando todos, batendo na mureta de cimento (sim, cimento) na mesma velocidade constante de 100 km/h. E Walmir ali, controlado, nos falando do Senhor do Bonfim, da lavagem do Pelourinho e do Acarajé da Keka.

Continua depois do próximo post...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Carta para um amigo viajante!

Viagem só é bom quando é a gente que vai. Quando é nosso melhor amigo, é ruim! Quando é por muito tempo, dói demais! Mas entendemos, pois dos amores que temos ao longo da vida, o menos egoísta é o da amizade. Já vivi esta perda no feminino e no masculino. Acabei transformando em algo bom: desculpas para aquietar minha comichão de querer seguir mundo afora visitando-os. Antes, no momento que o cérebro percebe o corte no coração, e a boca quer falar uma enciclopédia ainda consegui dizer para um deles:
“Agora eu sei! Mas só me lembrei depois, quando te vi pela primeira vez. Todos virando o rosto, sorrindo, enquanto você entrava pelo recinto. De cabelos ainda longos, encaracolados, renascentistas, confiante, brilhante, etéreo, familiar. Sentou do meu lado. Cumprimentou a todos, ainda rindo de volta para piadas ofertadas pelos que lhe conheciam. E falou comigo! Olhei para aquele verde! Sorri de volta! E... Lembrei de tudo. Como poderia esquecer a tua voz, os teus olhos e todas as vezes que nos encontramos antes de nos conhecermos novamente.

Acordei para todas as nossas lembranças, para as situações, os momentos, os sentimentos que passamos e ficaram guardados, sem resgate, num passado que não consigo identificar. Piadas que fizemos e rimos inúmeras vezes... Algumas sem graça nenhuma! Dores divididas, angústias expostas, segredos confiados.
Recordei de todos os personagens que fomos um para o outro. Um amigo, alegre, companheiro e irresistível, sempre pedindo mais uma cerveja, dividindo maços, conversando eternamente enquanto a madrugada deixasse, ouvindo sem julgar. Meu colega de turma, adiando trabalhos, fazendo provas juntos (finais até!), unidos em grupo, conversando com professores, participando de chopadas, fumando num hall amarelo velho. Um pai, tomando conta de mim em festas, bebedeiras, me apoiando (literalmente) após tombos e me ajudando nos machucados. Irmão mais velho, dando conselhos, fornecendo cuidados, carinhos e esperando em filas de banheiros femininos. Meu amante, de admiração estética, de preocupação com minha chegada em casa, de tesões compreensíveis, explicáveis, químicos e inexeqüíveis.

É deste jeito que eu sempre me senti contigo: como se nós já tivéssemos passado por tanta coisa juntos e por algum motivo nos afastamos, dormimos, sonhamos, esquecemos, acordamos e nos reencontramos. Com toda a intimidade, amizade, união e companheirismo intactos, dispostos a novas aventuras juntos. E desta vez, ter você ao meu lado, me acompanhando, me trouxe tanta alegria e felicidade no nosso pouco tempo que não há verbalização possível dentro de mim para te elogiar, ou te dizer o quanto te amo.

Além de tudo dito, mais lá para cima (que você manteve dos nossos outros encontros), foi também recente, conquistado, legitimado, marcante e curto. Você vai para longe e a geografia me obriga a não te ter mais tão cotidiano. Vou me quebrar por dentro de tantas saudades tuas, pois queria que fosse mais longo desta vez, queria ter mais chance de nos convivermos. Mas é inevitável e necessário a tua ida! Então, meu querido, meu lindo, vai e seja tudo o que você me fez recordar que você é! Tenho certeza que vai ser bom, que você vai ser muito feliz e bem sucedido na sua vida estrangeira. Logo, logo vai se sentir em casa lá, conhecerá coisas novas, viverá tudo intensamente e terás inúmeros novos amigos.

E quando você voltar saiba que estarei aqui, sempre, te aguardando para mais um período juntos. Só que desta vez, não terei te esquecido. Prometo!”

Paris - Capítulo 3/3: isso dói mais em mim do que em você!

Antes de deixar Paris, já que é preciso, mesmo ela não largando de meu peito, abaixo seguem um resumo dos lugares imperdíveis:

Torre Eiffel –Não economize, vá até o último nível, sinta medo no elevador quando começar a subir (vídeo abaixo) e ao chegar lá fique horas observando a cidade toda. A dica de ouro é pegar o metrô e saltar na estação Trocadero (se fala Trocaderôu). Pois você sai da estação e dá de cara com ela, ali no horizonte, linda, alta, metalica, magra, necessária. Se prepare para filas, são enormes para conseguir entrar no elevador, a não ser q vc seja mais aventureiro e resolva ir de escada. Eu estava de ressaca, entao no dia que fui, alem da dor de cabeça, boca seca, moleza, querendo um poço artesiano de água só pra mim, um pombo gordo francês ainda premiou meus cabelos lisos e sedoso com suas fezes. Mesmo todo mundo dizendo q era sorte, prestem atenção ao andar embaixo da Torre.



Museu do Louvre – É enorme, gigantesco, real, prodigioso. E tem uma pirâmide de vidro em frente! Ainda não sei o que pensar sobre isso. Reservei uma tarde (em torno de 4 horas). Foi pouco! No mínimo 1 dia! As galerias de arte egípcia e de pintores renascentistas me fizeram chorar. De admiração e de raiva por não poder ficar ali por mais 33 anos. Pensamentos cleptomaníamos percorreram minha mente, mas minha educação, moral, ética e reponsabilidade social me proibiram veemente. Ah, e parem com esta obsessão pela Mona Lisa. Sim, é legal ir vê-la. Mas falar só disso cansa, era um tal de Mona Lisa isso, Mona aquilo, pq a Mona blablabla, Mona, Mona, Mona… Quando eu cheguei perto pensei eu quero que a Mona vá para a @$%$¨&. Por que eu tenho que gostar dela? Mona vai TADPNCDC! Então o fato é que O Louvre tem tantas coisas maravilhosas. Procurem seu tesouro de infância misterioso e indecifrável.



George Pompidour – Ou Bourbour pros íntimos. Para quem não conhece, vou falar baixinho de vergonha, ele é um Museu de Arte Contemporânea. E eu amei! Pronto, disse! Por fora, com estruturas aparentes, escadas e grades. Por dentro, quente, aprazível com muitos conhecidos em cada esquina. A cada “amigo” que encontrava era uma festa: Picasso, Kandinsky, Miró, Matisse, quanto tempo! Que saudade!





Catedral Notre Dame – É uma festa para os olhos e um inferno para os detalhistas. Existe um dia na semana que ocorre uma missa com coral de canto Gregoriano. Lindo! À noite muitas pessoas ficam bebendo e conversando em frente. Amei os gárgulas espalhados pelo alto das varandas. Fiquei procurando Quasímodo, mas ele não apareceu para mim! Muita timidez, eu entendo!













Sacre-Coeur (se pronuncia Sacrequér) e Montmartre – Catedral e bairro, respectivamente, de personalidade cativantes e adoráveis como um romance francês aos 17 anos. Mesmo não tendo uma grandiosidade, a Catedral (que fica no alto do bairro de Montmartre, tendo uma vista panorâmica maravilhosas) é de uma lindeza que não existe deste lado do Atlântico. O bairro é recheado de poesia, artistas, pintores e cafés. Parecido com Santa Teresa em função das suas ladeiras. Curiosidade: lá foram filmadas várias cenas do filme “O fabuloso destino de Amélie Poulan”.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Paris - Capítulo 2/3: da realeza à boemia, casa comigo?

Vocês podem achar que é exagero, mas não é não! Paris é a cidade mais linda do mundo! Ok! Abro algumas exceções tendo em vista que não conheço o mundo inteiro! Mas ela deve ser vista ao menos 1 vez na vida antes que qualquer ser humano morra.

Uma amiga minha a definiu da seguinte maneira: como se tivéssemos voltado no tempo da monarquia, com casas, jardins e toda a pompa francesa, com tudo intacto. Ela tava certa. Os prédios, as ruas, os jardins, as fontes, igrejas, ainda parecem (assim eu imagino) como eram nos tempos da corte. Sendo que agora, ao invés de morar algum nobre francês, abrigam lojas da Prada, Dior, Beneton, D&G, etc. É o novo se fundindo ao antigo, com respeito e mantendo cada um sua particularidade.

O ar de Paris nos empurra para a rua. Faz-nos querer andar, nos aventurar por ruelas, becos, museus, jardins, labirintos, palácios, catedrais, etc. Experimentar as diversas comidas, todas preparadas com cuidado na mistura dos sabores. Queremos conhecer as misturas dos diversos povos que ali passam: árabes, latinos, irlandeses, croatas, egípcios, chineses, indianos, africanos.


Paris tem um clima boêmio, quase hedonista dos que apreciam as boas coisas da vida, como comidas, bebidas, musica, cultura, enfim o belo. E é justamente por esta cultura de “aproveitar a rua, o espaço público” que sua noite ferve de gente querendo ficar até de manhã, conversando em cafés, indo à boates, bebendo em alguma praça, olhando para a Catedral de Notre Dame ou brindando as margens do Rio Sena. De dia, é convite para conhecê-la e à noite ela te dá os prazer carnais. É para aproveitar com todos os sentidos, sem culpa, sem limites.

Sempre ouvi dizer que os franceses são metidos, esnobes e frios. Não é assim. Eles são educados e portanto gostam de um “bonjour” ou “bonsoir”. O primeiro contato é tudo e em qualquer abordagem deve-se mostrar cordialidade (experiência que trago para o meu dia-a-dia brasileiro). Em quase todas as situações fui tratada muito bem e todos foram solícitos, principalmente, ao dar informações. Isto não significa que eles faziam piadas ou abriam sorrisos enormes. É o jeito deles. E de uma forma geral, foram legais e prestativos. A única verdade é que algumas pessoas e lugares fedem. Meu nariz não parava de “reclamar” disso o tempo todo no meu “ouvido”.

O “problema” é que Paris tem muita coisa para ver e fazer. Só o Museu do Louvre levaria uns 5 dias para ver sua coleção. Então, recomendo que ou se fique no minimo 10 dias ou então parcele tudo, priorizando em cada viagem os melhores lugares. Quando fui, fiz um roteiro separando em manhã e tarde para cada programa. Na maior parte do planejamento isso funciona, a não ser que você cometa o meu erro: beber muito e perder a manhã toda de uma viagem.

No próximo post segue a nossa jornada parisiense, com as descrições dos lugares extasiamente visitados...